Sobre crise convulsiva (convulsão, crise epiléptica) e Epilepsia
- Bruna Pedrozo Festa
- 11 de fev.
- 3 min de leitura
As crises convulsivas têm uma ocorrência comum, afetando cerca de 8 a 10 por cento da população ao longo da vida. (1) Estima-se que ao redor do mundo 50 milhões de pessoas tenham epilepsia ativa, ou seja, estejam em tratamento ou tenham apresentado crises convulsivas no último ano. (2)
Crise convulsiva é definida como a ocorrência transitória de sinais e/ou sintomas decorrentes de um aumento excessivo e desordenado da atividade elétrica das células cerebrais, os neurônios. Esses sinais ou sintomas incluem fenômenos anormais súbitos e transitórios, como alterações da consciência ou eventos motores, sensitivos/sensoriais, autonômicos ou psíquicos, involuntários, percebidos pelo paciente ou por um observador. (3)

O termo Epilepsia é usado quando as crises convulsivas tendem a se repetir ao longo do tempo, espontaneamente, sendo definida por qualquer uma das seguintes condições: (1)
Pelo menos duas crises convulsivas não provocadas*, ocorrendo com mais de 24 horas de intervalo.
Uma crise convulsiva não provocada e uma probabilidade de novas crises semelhantes ao risco geral de recorrência após duas crises não provocadas (por exemplo, ≥60%) que ocorram nos próximos 10 anos. Isso pode ocorrer em casos de lesões estruturais remotas, como acidente vascular cerebral, infecção do sistema nervoso central ou certos tipos de traumatismo cranioencefálico.
Diagnóstico de uma síndrome epiléptica*.
*Crise convulsiva sintomática aguda (provocada): refere-se a uma crise que ocorre no momento de uma agressão sistêmica ou em estreita associação temporal com uma agressão cerebral, como nos distúrbios metabólicos (hipoglicemia, hiponatremia, uremia)), abstinência de drogas ou álcool, distúrbios neurológicos agudos como acidente vascular cerebral, encefalite ou traumatismo cranioencefálico agudo.
*Crises convulsivas não provocadas: refere-se a crises que não estão intimamente relacionadas a uma lesão sistêmica ou cerebral e podem ter a causa desconhecida ou estar associadas a uma lesão cerebral preexistente ou a um distúrbio progressivo do sistema nervoso.
*Síndrome epiléptica: representa um conjunto complexo de características clínicas, sinais e sintomas que, em conjunto, definem um distúrbio convulsivo clínico distinto e reconhecível. Algumas síndromes estão altamente correlacionadas com uma etiologia específica (por exemplo, variantes graves de perda de função do gene SCN1A na síndrome de Dravet); outras síndromes podem ser devido a uma ampla gama de causas (por exemplo, síndrome de espasmos epilépticos infantis ou síndrome de Lennox-Gastaut). (4)
O que se deve fazer ao presenciar alguém tendo uma crise convulsiva?
Para auxiliar no entendimento de como agir seguimos o protocolo C.A.L.M.A: (2)
C - COLOCAR a pessoa de lado com a cabeça elevada para que não sufoque com a saliva (não tente segurar braços e pernas)
A - APOIAR a cabeça sobre algo macio para protegê-la (não tente abrir a boca nem coloque nada dentro dela)
L - LOCALIZAR objetos próximos que podem machucar a pessoa e os afastar (retire óculos, afrouxe roupas apertadas)
M - MONITORAR o tempo, se a crise demorar mais que 5 minutos ou acontecer de novo ligue para o SAMU (192)
A - ACOMPANHAR a pessoa até ela acordar e em casos de ferimentos e/ou a primeira crise convulsiva da vida chame o SAMU (192)
Como são feitos o diagnóstico e o tratamento da Epilepsia? (2)
O diagnóstico é clínico e deve ser resultante da avaliação médica em consulta, idealmente com o/a paciente e um acompanhante que possa dar informações acerca do que ocorre no momento e após a crise, acrescido ou não de alterações detectadas por exames complementares quando indicados (eletroencefalograma, neuroimagem do crânio).
O tratamento da Epilepsia é definido a depender da etiologia, manifestações e acompanhamento, podendo ser com medicamentos anti-crise, dieta cetogênica, neuromodulação (VNS - estimulação do nervo vago) e também cirurgia ressectiva.
O acompanhamento com neurologista é de suma importância para orientações, diagnóstico e tratamento adequados.
Referências:
1-EVALUATION and management of the first seizure in adults. UpToDate, [S.l.], 2025. Disponível em:https://www.uptodate.com/contents/evaluation-and-management-of-the-first-seizure-in-adults?search=epilepsia&topicRef=14094&source=related_link. Acesso em: 9 fev. 2026.
2-CALMA. Epilepsiabrasil.org.br, 2026. Disponível em: https://epilepsiabrasil.org.br/calma/. Acesso em: 11 fev. 2026
3-YACUBIAN, Elza Márcia Targas; KOCHEN, Silvia. Crises e síndromes epilépticas. 2. ed. São Paulo: Casa Leitura Médica, 2010.
4-ILAE classification of seizures and epilepsy. In: UpToDate, Connor RF (Ed.). UpToDate, Wolters Kluwer, 2021 (última atualização). Disponível em:https://www.uptodate.com/contents/ilae-classification-of-seizures-and-epilepsy?search=sindrome%20epileptica&source=search_result&selectedTitle=2~120&usage_type=default&display_rank=2. Acesso em: 9 fev. 2026.
*O material tem caráter informativo e não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico, autotratamento ou automedicação. Em caso de dúvidas, consulte sua médica/seu médico.




